No embalo dos investimentos em expansões no setor de caminhões, a Volvo anunciou ontem a abertura do segundo turno de produção. A decisão chega com um ano de atraso, admite o gerente de caminhões da empresa, Bernardo Fedalto. Mas a filial brasileira, que depende de itens importados, teve de esperar a matriz investir no aumento de produção na Suécia.
Nos últimos meses, a Volvo viu o mercado doméstico crescer e a sua participação cair sem ter condições de colocar a linha de montagem no mesmo ritmo. A operação brasileira depende de peças da caixa de câmbio importadas de Koping, cidade a 150 quilômetros ao sul de Gotemburgo, sede da Volvo.
Com a demanda aquecida também na Europa, a filial brasileira não tinha como aumentar o volume de pedidos. Somente depois de um investimento de US$ 700 milhões na expansão da fábrica de Koping foi possível começar a elevar a quantidade de peças para o Brasil. Com componentes mais sofisticados vindos da Suécia e outros nacionais a filial produz caixas de câmbio no Brasil.
Com o segundo turno, a produção passará de 56 para 77 caminhões por dia até setembro. O novo turno abriu 200 vagas. Metade dos contratados já começou a trabalhar. Nos últimos 12 meses a empresa abriu mais de 500 vagas. Com 2.576 funcionários, a Volvo tem hoje no Brasil o maior número de empregados desde a sua instalação em Curitiba, em 1980.
"Estamos atrasados", destaca Fedalto. A empresa pretende agora ter condições de recuperar espaço no mercado. No passado, tradicionalmente, a Volvo ocupava o segundo lugar no segmento de caminhões pesados. Com fatia de 18,6%, caiu para o quarto lugar. "Mas não posso reclamar", completa o executivo, animado com o ritmo de crescimento das vendas.
Trabalhar com duas turmas também ajudará a empresa a atender à s filas de espera. Em alguns modelos, o cliente que encomenda um caminhão Volvo hoje tem que esperar até novembro ou dezembro. A empresa considera normal esperas em torno de 60 dias. Fedalto aponta, ainda, o fato de os transportadores começarem a fazer pedidos programados. "Essa mistura de fila com programação, algo que não existia nos tempos de inflação, é que eleva o ritmo das entregas futuras", destaca. O executivo espera também que agora, passada a fase de sucessivos índices de crescimento, o mercado de caminhões também comece a se acomodar.